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Quem nunca
ouviu falar que de louco todos têm um pouco? O psicólogo paulista Mauricio
Fabbri em entrevista para a Folha Atividade mostra que não é bem assim.
Mauricio Fabbri é psicólogo clínico e hospitalar em Campinas – SP.
Folha
Atividade – Qual é seu parecer a respeito do dito
popular: “De louco todos têm um pouco”?
Dr.
Maurício – “Até diria algo sobre isso se você me
dissesse o que entende por ser louco. O termo ‘louco’ não existe dentro do
linguajar da Psicologia, o que temos são pessoas com comprometimento da
saúde mental, ou seja, portadores de patologias”.
Folha
Atividade – O que caracteriza uma pessoa que tem a
saúde mental comprometida?
Dr.
Maurício – “Primeiramente deve ficar bem claro que
cada indivíduo percebe e interpreta o mundo de um jeito. Cada pessoa no
decorrer de sua vida adquire uma lente através da qual passa a enxergar o
mundo, esta visão é pautada nas crenças, juízo de valores... Valores estes
que são construídos através de suas experiências com o passar dos anos.
Nesse sentido, mais do que presumir, se aceita que o ‘conhecimento’ é uma
representação direta do mundo exterior. Cabe ao terapeuta auxiliar o
paciente no ajuste ou aperfeiçoamento de padrões concordantes com a
realidade socialmente estabelecida. Quando não há correspondência com o
mundo exterior, as emoções que estão em disfunção é o indicativo da falta de
compatibilidade entre a realidade interna e a externa”.
Folha
Atividade – Qual é o tratamento considerado mais
adequado a ser aplicado nos casos de conflito entre o mundo interno e
externo de um indivíduo?
Dr.
Maurício – “Trabalha-se com a vulnerabilidade do
paciente transformando-a em flexibilidade emocional, é o que chamamos de
Terapia Cognitiva, esta é uma das abordagens de psicoterapia que tem
demonstrado grande êxito pelos resultados obtidos no tratamento dos mais
variados transtornos e patologias clínicas. A terapia cognitiva tem como
alicerce básico a compreensão dos processos cognitivos e sua rede de
significados que são estabelecidos através da percepção, seleção e
significação das informações provenientes do meio externo”.
Folha
Atividade – Nesse contexto, onde entra a
criticidade de um indivíduo? Não seria passividade pensar ou agir somente
conforme os ditos sociais pré-estabelecidos?
Dr.
Maurício – “Dentro das concepções cognitivas mais
tradicionais, a destreza e o manuseio pelo cliente das boas formas de
entender a realidade, fez com que em certo sentido, o organismo fosse
entendido como passivo as interferências do meio, devendo então se curvar
aos eventuais erros do pensamento, exibir uma rota mais adequada. Assim,
torna-se inevitável que o erro do pensar tenha se tornado a fruta em
decomposição na fruteira, devendo ser corrigida. O objetivo da terapia
cognitiva não é o de interpretar ou de tentar criar uma teoria de leis
gerais sobre o funcionamento da psique humana, mas sim, o de levantar
hipóteses gerais acerca de como cada indivíduo construiu a sua realidade e
analisar assim os padrões de pensamentos gerados por estas crenças, que,
sendo inadequadas ou disfuncionais, podem vir a criar conflitos e
sofrimentos para a pessoa”.
Folha
Atividade – Cite um exemplo prático de atividade
realizada pela Terapia Cognitiva.
Dr.
Maurício – “A Terapia Cognitiva é mais ou menos o
que faremos nessa frase, acompanhe”:
“ Ai
amor, assim não podemos continuar vivendo...”.
“Ai
amor, assim não podemos continuar”.
“Ai amor, assim não podemos”.

“Ai
amor, assim não”.
“Ai amor, assim”.

“Ai
amor”.
“Ai”.
De um
conflito a um gozo de plenitude, é isso que a Terapia Cognitiva faz. Outro
exemplo prático é a seguinte situação: Com o intuito de agradar ao marido a
mulher prepara um peixe assado, ele olha o peixe e pergunta a sua esposa por
que o peixe está sem rabo, ela diz que não sabe, que prepara o peixe assim
porque era a maneira que sua mãe também o fazia. Em uma oportunidade a
mulher pergunta a sua mãe porque ela preparava o peixe sem o rabo e a mesma
também não sabia responder, até que em um jantar que reuniu toda família,
elas perguntam à bisavó por que o peixe era preparado sem o rabo, eis que a
velhinha responde que na época dela sua família não tinha dinheiro para
comprar uma fôrma maior, então como a única assadeira que tinha era pequena,
cortavam o rabo do peixe para caber na forma. “Nesse exemplo, a Terapia
Cognitiva, faz você questionar o porquê de peixes preparados sem rabo, ajuda
na decisão de continuar com a fôrma pequena ou comprar uma maior, ou ainda
de não fazer mais peixes”.
Quem quiser
saber maiores informações sobre a Terapia Cognitiva, o psicólogo Mauricio
Fabbri abre espaço para questões a serem enviadas a seu e-mail
malt_psico@hotmail.com.
Fonte:
Jaqueline Fabri - Jornalista

08/05/2008
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