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A cidade: São João del Rei-MG
A
cidade de São João del Rei originou-se do antigo Arraial Novo do Rio das
Mortes. A ocupação do arraial remonta a 1704, quando um paulista chamado
Lourenço Costa descobre ouro no ribeirão de São Francisco Xavier.
A descoberta fez com que as fossem distribuídas a várias pessoas que começam
a explorar as margens do ribeirão. Algum tempo depois, o português Manoel
José de Barcelos encontrou mais ouro na encosta sul da Serra do Lenheiro,
num local chamado Tijuco. Naquele local estabeleceu-se o primeiro núcleo de
povoamento que daria origem ao Arraial Novo de Nossa Senhora do Pilar, mais
tarde Arraial Novo do Rio das Mortes.
Já bastante próspera, em 1713 a localidade é elevada a vila e recebe o nome
de São João del-Rei em homenagem a Dom João V, rei de Portugal. No ano
seguinte, é nomeada sede da Comarca do Rio das Mortes. Desde os tempos de
sua formação, desenvolve-se aí uma vasta produção mercantil e de gêneros
alimentícios, resultantes tanto da atividade agrícola, quanto da pecuária.
Essa faceta vai possibilitar o contínuo crescimento da localidade, que não
sofre grandes perdas com o declínio da atividade aurífera, verificado em
toda a Capitania das Minas Gerais a partir de 1750.
Nessa época a crise do sistema colonial agrava-se. A exploração do ouro
entra em franca decadência, e a Coroa Portuguesa continua a exigir pesados
impostos da população. Essa situação conflitante faz crescer o nível de
consciência de setores intermediários da sociedade, levando padres,
militares, estudantes, intelectuais e funcionários das principais vilas
mineiras, como São João del-Rei, Tiradentes e Vila Rica, a conspirar contra
a metrópole.
Em poucos anos, o movimento conhecido como Inconfidência Mineira toma corpo
e ganha adeptos em cada arraial e vila da Capitania das Minas Gerais.
Grandes planos são traçados tendo em vista a produção de bens de consumo
aliada à liberdade comercial, o que descartaria a política monopolizadora da
metrópole. A Vila de São João del-Rei é escolhida para abrigar a nova
capital. Porém, em 1789 o movimento é frustrado pela denúncia do coronel
Joaquim Silvério dos Reis, devedor de somas altíssimas à Fazenda Real.
Graças à vocação comercial de São João del-Rei, a sua feição colonial não é
a mesma das demais vilas mineradoras da época. Já em princípios do século
XIX, ela se mostra amadurecida comercialmente: lojas instaladas em elegantes
casarões oferecem todo tipo de mercadoria, desde as produzidas na comarca
até as importadas. O movimento de passantes, caixeiros-viajantes, mulheres e
crianças circulando pelas ruas confere-lhe um aspecto alegre e colorido.
Também é precoce o surgimento da imprensa, assinalado pela fundação, em
1827, do 'Astro de Minas', o segundo jornal de Minas Gerais na época.
Em 1838 a progressista Vila de São João del-Rei torna-se cidade. Nessa
época, possuía cerca de 1.600 casas, distribuídas em 24 ruas e 10 praças.
Ainda no século XIX, contava com casa bancária, hospital, biblioteca,
teatro, cemitério público construído fora do núcleo urbano, além de serviços
de correio e iluminação pública a querosene.
Desenvolve-se, ainda mais, com a inauguração em 1881 da primeira seção da
Estrada de Ferro Oeste-Minas, que liga as cidades da região a outros
importantes ramais da Estrada de Ferro Central do Brasil. Em 1893 a
instalação da Companhia Industrial São Joanense de Fiação e Tecelagem traz
novo impulso à economia local, a tal ponto que a cidade é novamente indicada
para sediar a capital de Minas Gerais. Em junho do mesmo ano, o Congresso
Mineiro Constituinte aprova, em primeira discussão, a mudança da capital
para a região da Várzea do Marçal, subúrbio de São João del-Rei. Mas, numa
segunda discussão, o projeto inclui Barbacena e também Belo Horizonte, um
planalto localizado no Vale do Rio das Velhas, onde existia o antigo Arraial
do Curral del-Rei.
Com a escolha da região do Curral del-Rei em dezembro de 1893, a importância
econômica de São João del-Rei diminui gradativamente. Mas a cidade não perde
seu charme colonial, sendo motivo de atenção dos modernistas brasileiros,
que a visitam em 1924. Ela é registrada na obra de algumas das figuras mais
representativas do movimento, como a pintora Tarsila do Amaral e o escritor
Oswald de Andrade. Em 1943 seu acervo arquitetônico e artístico, composto
por importantes edificações civis e religiosas, é tombado pelo Serviço do
Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - Shan.
A formação peculiar da cidade, que evoluiu de arraial minerador para
importante pólo comercial da região do Campo das Vertentes, é responsável
por sua característica mais interessante: uma mescla de estilos
arquitetônicos que tem origem na arte barroca, passa pelo ecletismo e
alcança o moderno. Em São João del-Rei, é possível apreciar a evolução
urbana de uma vila colonial mineira, cujo núcleo histórico permanece
bastante preservado em harmonia com as construções ecléticas do século XIX e
as mudanças ocorridas no século XX.
Fundação da cidade
São João del Rei foi fundada em fins do século XVII, por taubateanos
liderados por Tomé Portes del Rei, que, por isso, é considerado seu
fundador.
Em 1709, a cobiça pelo ouro gera discórdia entre portugueses e paulistas,
dando causa à Guerra dos Emboabas, acontecendo o triste episódio do "Capão
da Traição" quando os paulistas foram emboscados e chacinados pelos
portugueses.
Em 08 de dezembro de 1713, arraial alcançou foros de vila, com o nome de São
João del Rei, homenagem a D. João V, e também passa a ser sede da Comarca do
Rio das Mortes.
O ouro, a pecuária e a agricultura foram os fatores de desenvolvimento e
progresso da vila e, aos 6 de março de 1838 é elevada à categoria de cidade.
São João del Rei participou sempre das decisões mineiras e nacionais.
Em 1833, na Sedição Militar de Ouro Preto, em 1842, na Revolução Liberal e,
sendo sede do 11ºBI - Batalhão Tiradentes, participou das revoluções de 1930
e 1964. Combateu na Itália, triunfando em Montese e Castelnuevo. Aqui
nasceram is grandes heróis nacionais: Joaquim José da Silva Xavier, o
Tiradentes - o Mártir da Independência e Patrono Cívico da Nação Brasileira;
Bárbara Heliodora Guilhermina da Silva - a heroína da Inconfidência São João
del Rei é conhecida como um entroncamento de caminhos, desde a expedição de
Fernão Dias, que em 1674 abriu a trilha mais tarede conhecida como o Caminho
Velho (de São Paulo à Minas). Nos últimos anos do século XVII, o taubateano
Tomé Fortes del Rei estabeleceu-se na beira deste caminho, cobrando pedágio
na passagem do Rio das Mortes, cultivando roças e criando gado.
Posteriormente o chamado Caminho Novo, que vinha do Rio de Janeiro, também
passava pela atual São João del Rei, palco de fatos históricos nacionais,
como a Guerra dos Emboabas e Inconfidência Mineira. Em 1730, a famosa
Picada, partia justamente de São João del Rei, atingindo a divisa goiana em
Paracatu.
Depois, em 1872, foi criada a Estrada de Ferro Oeste de Minas, para
complementar a Estrada de Ferro Leopoldina, que vinha do Rio de Janeiro e
chegando à São João del Rei seguia para as lonjuras de Pitangui e Paracatu,
rastreando a velha Picada de Goiás.
Mas São João del Rei não vive só de passado. Sabe invoca-lo, orgulhando-se
dele, encontrando nele a força do ideal e de amor à liberdade e à justiça,
como seus filhos Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes e o Presidente
Tancredo Neves.
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